novembro 30, 2005
Chiado

É tão delicioso passear no Chiado, nestas tardes frias. Passear com uma réstia de destino, bem agasalhada, a ouvir um pontual faducho. É bom descer a Rua Garrett, com um frio aquecido pela tradição. É tão doce aquele cheiro a lembrança, aquele aroma ligeiramente agridoce das diferentes expressões e dores. Há um misto de pessoas, uma mistura tão castiça que se traduz numa magia!!!! É o glamour com o desalinho. É o poeta e o pedinte. É o político e a velhinha. É a criança e o Fernando Pessoa. É tão boa a fantasia de cada esquina, cada fachada, cada pedra da calçada. É tão queirosiano passear por ali...! Lá parece que as ideias fluem, flutuam, ressoam na alma. Gosto do Chiado e anseio que o Chiado goste de mim. Se um dia for embora, vou ficar com saudades destas tardes. Gosto de me sentir dentro de um romance, de um poema. Gosto de me sentir em casa, assim. Nunca se está sozinho no Chiado. A vida no Chiado faz-nos bem. É bom viver numa cidade assim, apesar de tudo o que está mal, temos magia, temos luz, temos tanto...
Paris fez a Revolução, Londres deu Shakespeare, Viena deu Mozart, Berlim deu Kant, Lisboa... deu-nos a nós – que diabo! Carta a Ramalho Ortigão
novembro 29, 2005
Diz-me tu...

Não digo o que é!
Não digo...
Descobre...!
Não sei...
Pode ser um sonho, uma fantasia, um conto de fadas. Pode ser um desejo, uma realidade, um pedido. Pode ser um pedaço de luz, um pedaço de vida, um pedaço de mim. Pode ser saudade, decisão, duvida. Pode ser preguiça, ciume, raiva. Pode ser teimosia, poema, aguarela. Pode ser romance, comédia, drama. Pode ser pegada, ondas, nuvem. Pode ser beijo, esquecimento, pensamento. Pode ser o fim da linha, o recomeço, o começo. Pode ser dor, amor, indiferença. Pode ser frieza, paixão, chocolate. Pode ser verniz, cetim, chá verde. Pode ser atracção, traição, vicio. Pode ser pureza, puteza, tinta da china. Pode ser vela, sol, escuridão. Pode ser carvão, neve, pastel. Pode ser um esboço, uma obra de arte, um hino.
Não sei...
Decobre...!
Não digo...!
Não digo o que é!
cof cof cof
Custa-me...

Não me custa ver-te correr sem rumo pela rua.
Não me custa...
Custa.
Custa-me ainda mais que desvies o olhar, que desvies a conversa, que te desvies de mim.
Custa-me tanto.
Custa-me que os dias passem, as horas voem e eu fique...desviada do que quero.
Não tinha de ser assim, não tinha de partir sem ti, não tinha de ficar sem ti...
Custa-me ver-te assim gelado.
Custa-me deixar de te dizer as palavras que escrevi como poemas dispersos ao ar.
Custa-me não conseguir encontrar o teu olhar, nem os teus braços...
Custa-me estes entretrantos, estes enquanto não voltas depressa, estes perigosos interregnos de comunicação.
Custa-me tanto...
Custa-me que não anseies por mim...
Não me custa ver-te correr pela rua sem rumo...mas custa que te desvies de nós.
Para quem sentiu a falta de movimento aqui pelo bloguigas...desculpem-me mas a netcabo tem destas coisas!!!
Para quem não percebeu...Francamente! Uma pessoa podia estar doente com uma carraspana ou uma gripe qualquer porque até está um frio muito frio. Podia ter apanhado um choque por andar às voltas, a ligar e desligar o modem, para vos escrever. Podia até estar com uma crise existencial e de inspiração ...e vocês nem nada!!!! Realmente...falta de sensibilidade!!! Assim não...!
Agora fiquei amuada!
Para quem não percebeu...Francamente! Uma pessoa podia estar doente com uma carraspana ou uma gripe qualquer porque até está um frio muito frio. Podia ter apanhado um choque por andar às voltas, a ligar e desligar o modem, para vos escrever. Podia até estar com uma crise existencial e de inspiração ...e vocês nem nada!!!! Realmente...falta de sensibilidade!!! Assim não...!
Agora fiquei amuada!
novembro 26, 2005
pancadaria....amigável

Miúda, tens uma cara fofinha para dar umas estaladas!!!!
Foi bom para descarregar a raiva!!!
Sabes que te adoro!!! Somos, mutuamente, um saco mútuo de pancada mutua!!!!
novembro 25, 2005
Sou...
Sou a chuva ácida que te corrói nestas manhãs de Inverno.
Sou o vento em alvoroço que te embaraça os fios de cabelos.
Sou ondas revoltas que te salgam os lábios e a pele.
Sou o que tu quiseres amanhã e o que precisas hoje.
Sou aquilo de que foges e o que mais procuras.
Sou o teu medo, a tua fuga, o teu esconderijo.
Sou o teu poema, o teu esquecimento, a tua solidão.
Sou o teu mau tempo, o teu tempo morto, o teu passatempo.
Sou a tua ausência, a tua distância, o teu descontentamento.
Sou e não sou.
Por vezes sinto que sou tudo e por vezes que apenas não sou nada.
Só sei que sou...mas não o que sou.
Sou o vento em alvoroço que te embaraça os fios de cabelos.
Sou ondas revoltas que te salgam os lábios e a pele.
Sou o que tu quiseres amanhã e o que precisas hoje.
Sou aquilo de que foges e o que mais procuras.
Sou o teu medo, a tua fuga, o teu esconderijo.
Sou o teu poema, o teu esquecimento, a tua solidão.
Sou o teu mau tempo, o teu tempo morto, o teu passatempo.
Sou a tua ausência, a tua distância, o teu descontentamento.
Sou e não sou.
Por vezes sinto que sou tudo e por vezes que apenas não sou nada.
Só sei que sou...mas não o que sou.
novembro 24, 2005
Escadas

Tu sabes que estou lá em cima e sabes que te espero sentada, num qualquer degrau.
Não me vês, bem sei, mas eu oiço-te.
Sobes hesitante a cada passo e temes o ranger da madeira e o verde do matutino musgo.
Eu disse que te esperava. E espero.
Espero que ganhes coragem de subir para me abraçares. Espero que faças das tuas promessas actos. Espero que saibas que se não vieres, eu vou aqui ficar, sentada, caladinha e expectante. Espero.
Espero. Demores o que demorares, cá no cimo destas escadas, chegarás sempre dentro do tempo. Esta é uma espera intemporal: Hei-de ser lenda, mito ou mero boato, mas hei-de estar aqui até voltares, se voltares.
Por isso demora...que eu também me vou demorar por ti.
Sobe as escadas que talhei à minha passagem para te esperar.
Tenho o olhar mortiço de saudades, o corpo quebradiço pela espera, a voz frágil de tanto gritar o teu nome ao vento, e tu não chegas, mas eu espero.
E espero porque viras do avesso o meu mundo desorganizado, transformas lágrimas em gargalhadas, a diferença em igualdade, o breve em intenso, suavizas as dores, tornas o silêncio num sorriso e eu amo-te do cimo destas escadas.
E consciente deste amor, anseio a tua chegada, nestas escadas infinitas, para quebrar as distâncias, as esperas, as angustias e as escadas.mas até lá... vou esperar, no cimo destas escadas.
série meireles

Só a introdução está fabulosa---
olha cá está um pot-pourri de barulhos da selva.
..........................
Pinhal....................
Pinhal...................
.........................
cfgohuygdrtryuli bhhjhjkjkj
..........................
Pinhal....................
Pinhal...................
.........................
khughftyuhujjjbfgdegarllk
Está um calor de ananasses....
novembro 23, 2005

Preso num banco de jardim abandonado.
À espera, espera preso ao tempo abandonado num jardim.
À espera, escreve poemas em folhas de plátano amarelecidas pelo tempo.
Escreve em folhas amarelecidas com uma caneta sem resto tinta.
Sem tinta escreve abandonos e poemas amarelecidos pela espera.
Poemas de espera, esquecidos pelo tempo e por quem não sente.
Dias que passam sem compasso, enquanto espera, abandonado, num banco de jardim.
feliz

Sou feliz.
Sou feliz porque posso sorrir, amar, sonhar, viver, brincar. Momentaneamente, sou infeliz por puro egoísmo ou esquecimento, porque o meu mundo é repleto de coisas que me podem e fazem ser, incondicionalmente, feliz. Por vezes há pedras pelo caminho, mas isso são rampas de lançamento para um estádio de desenvolvimento superior.
Sou feliz porque posso sorrir...e é tão bom!
Sou feliz porque posso amar...e é tão bom!
Sou feliz porque posso sonhar...e é tão bom!
Sou feliz porque posso viver...e é tão bom!
Sou feliz porque posso brincar...e é tão bom!
Sorrio de manhã à noite, ainda que por vezes não seja um sorriso rasgado.
Amo os que me rodeiam hoje e rodearam um dia.
Vivo intensamente, porque o tempo passa e o hoje, amanhã será ontem.
Brinco como se fosse ainda uma criança, porque continuo a ser ainda uma criança.
Sorri, ama, sonha, vive, brinca, porque só assim se pode, realmente, encontrar o conforto que todos anseiam: a felicidade.
novembro 22, 2005
Dolce Fare Niente
novembro 21, 2005
Fica...

Podem sintonizar o olhar, voz e até pensamentos.
Podem criar livros e álbuns de fotografias de coisas que fizeram rir, chorar, tremer, temer.
Podem escutar as coisas que deixaram marcas e dores e até os bons momentos que já só restam na memória desfocada.
Podem lembrar como souberam passar pelos buracos no asfalto, como souberam lutar, partilhar, dividir alegrias e dores, ou apenas parvoíces.
Podem rasgar as telas dos quadros que pintaram das paisagens que viveram reciprocamente.
Podem reviver, admitir os erros, apagar a tinta que desbotou a vossa história.
Podem repetir o que vos juntou e afastar o que é só abismo.
Podem escolher acordar amanhã, ou simplesmente fugir.
Podem escrever um novo capítulo, ou até uma nova história, mas amanhecer sem senãos. Amanhecer e juntos escreverem a vossa história e pela noite lerem-na em conjunto.
Podem deixar que pela manhã o sol vos aqueça a alma, ou fugirem da felicidade uma vida inteira.
Podem perder, esquecer, amarrotar.
Podem esperar ou agir...
Mas podem muito, percebes?
Podem...não têm as mãos atadas a nada, a não ser a vocês mesmo!
Vale sempre a pena amanhecer e espreguiçar ao lado da nossa história, do nosso poema, da nossa paisagem..
Vale a pena perder muito para ganhar este conforto.
Vale a pena procurar, esperar, sofrer...por esse sorriso matinal...
Vale a pena amanhecer assim...
novembro 20, 2005
novembro 18, 2005
Sorriso matutino

Amanheci bem disposta...
Amanheci sorridente....
Já não amanhecia assim...há uns tempos.
Bom sinal...
Fim-de-semana à vista...
Tão bom!!!!
Acordei solarenga apesar do céu cinzento.
Não há razão em especial...há um sorriso matutino, que é apenas um sorriso. Mas já é um sorriso!!!!
Desejo a todos um sorriso, a tempo inteiro, para este dia...
novembro 17, 2005
what a wonderful world
I see trees of green, red roses too
I see them bloom for me and you
and I think to myself, what a wonderful world
I see skies of blue and clouds of white
the bright blessed day, the dark sacred night
and I think to myself, what a wonderful world
the colors of the rainbow, so pretty in the sky
are also on the faces of people going by
I see friends shaking hands, saying, "how do you do?"
they're really saying, "I love you"
I hear babies cry, I watch them grow
they'll learn much more, than I'll never know
and I think to myself, what a wonderful world
yes, I think to myself, what a wonderful world
Louis Armstrong
I see them bloom for me and you
and I think to myself, what a wonderful world
I see skies of blue and clouds of white
the bright blessed day, the dark sacred night
and I think to myself, what a wonderful world
the colors of the rainbow, so pretty in the sky
are also on the faces of people going by
I see friends shaking hands, saying, "how do you do?"
they're really saying, "I love you"
I hear babies cry, I watch them grow
they'll learn much more, than I'll never know
and I think to myself, what a wonderful world
yes, I think to myself, what a wonderful world
Louis Armstrong
No nevoeiro...

O nevoeiro envolve-me num frio incómodo, num arrepio...tão longo e intenso que não me lembro de já ter sentido tal coisa. Não vejo o que preciso de ver, não te vejo no fim da rua, nem tão pouco a espreitar à janela. Já percorri quilómetros para te encontrar, mas só me cruzo com a multidão rodopiante que nos cerca, ruidosamente, com olhos desconhecidos e sebosos de cansaço. Perdi-te no nevoeiro. Quem sabe se amanhã não te encontro quando a dúvida, dor e nevoeiro se dissiparem...
Manhãs caóticas cheias de nevoeiro na minha alma. O nevoeiro, névoa espessa e cinzentona que me atravessa de um lado ao outro como uma espada afiada, deixa marcas que aquietas sem sacrifício. Só isso me aqueceria nestas manhãs pesadas. Sabes, antes sabia-te de de cor, hoje é tão difícil conjugar-te, de olhos fechados. Acho que te perdi no nevoeiro...
novembro 16, 2005
Mais uma breve carta que nunca escrevi.
Mais uma pilha de frases soltas.
Lê-me e se não entenderes...amachuca-me como uma velha folha de papel que ninguém quer para nada.
Que inquietude...
Só sei escrever meios-sorrisos, fazer versos pardacentos, dizer frases quase inundadas.
Repara que até as virgulas soam a tristeza e solidão. As ideias que tinha, essas, agora já só fazem ecos nos recantos dos meus dias. Procuro nos teus perfumes uma nova cor, sabor ou até relevo para a minha inspiração.
Não te encontro. Não te encontro, mais uma vez.
Mas onde andas?
Sinto a alma em desassossego, ao respirar a tua ausência...
Já cheiro os nossos poéticos silêncios e já me magoam as madrastas horas no meu templo.
Que desilusão...
Chega de esperar acções e reacções que não chegam nunca. Chega de esperar, penar, perder horas vitais...
Chega de esconder a cara para não ver. Chega de sorrir para não chorar; rir para não berrar.
Chega de mim, de ti, chega dele. Chega de nós. Chega de tudo!!!
Que desconsolo acordar e não ver o meu sorriso cheio de meninice. O que foste fazer?
Não quero escrever a meia-luz, refugiada na estufa onde cultivo ideias e pensamentos como se fossem cogumelos venenosos.
Não quero perder tempo a pedir perdão pelo que não fiz, nem esperar eternamente pelo perdão que ninguém diz.
Que desatino...
Não me entendes...
Não me entendes quando não faço qualquer ruído.
Desconcentra-me essa indiferença.
Que insegurança reside no teu embaraço...
Coras, lutas e perdes espaço.
Perdes espaço.
Perdes tanto espaço.
Que desleixo...
Chega de palavras frívolas.
Chega...
Mais uma pilha de frases soltas.
Lê-me e se não entenderes...amachuca-me como uma velha folha de papel que ninguém quer para nada.
Que inquietude...
Só sei escrever meios-sorrisos, fazer versos pardacentos, dizer frases quase inundadas.
Repara que até as virgulas soam a tristeza e solidão. As ideias que tinha, essas, agora já só fazem ecos nos recantos dos meus dias. Procuro nos teus perfumes uma nova cor, sabor ou até relevo para a minha inspiração.
Não te encontro. Não te encontro, mais uma vez.
Mas onde andas?
Sinto a alma em desassossego, ao respirar a tua ausência...
Já cheiro os nossos poéticos silêncios e já me magoam as madrastas horas no meu templo.
Que desilusão...
Chega de esperar acções e reacções que não chegam nunca. Chega de esperar, penar, perder horas vitais...
Chega de esconder a cara para não ver. Chega de sorrir para não chorar; rir para não berrar.
Chega de mim, de ti, chega dele. Chega de nós. Chega de tudo!!!
Que desconsolo acordar e não ver o meu sorriso cheio de meninice. O que foste fazer?
Não quero escrever a meia-luz, refugiada na estufa onde cultivo ideias e pensamentos como se fossem cogumelos venenosos.
Não quero perder tempo a pedir perdão pelo que não fiz, nem esperar eternamente pelo perdão que ninguém diz.
Que desatino...
Não me entendes...
Não me entendes quando não faço qualquer ruído.
Desconcentra-me essa indiferença.
Que insegurança reside no teu embaraço...
Coras, lutas e perdes espaço.
Perdes espaço.
Perdes tanto espaço.
Que desleixo...
Chega de palavras frívolas.
Chega...
novembro 15, 2005
O Teu Encanto

Sonhei um dia que por magia o nosso amor
Tinha o tamanho do mundo inteiro, talvez maior.
Na fantasia desse meu sonho, a felicidade
Tinha o teu nome, o teu encanto, a tua idade.
É bom sonhar, mas acordar contigo ao lado e te beijar
Contar-te o sonho, ver-te sorrir e adormecer,
Como quem quer o mesmo sonho voltar a ter,
Como quem quer deixar o sonho acontecer.
Cada momento da nossa vida é a razão
Que faz passar além da vida esta paixão.
Depois em sonhos eu imagino, não sei porquê,
A nossa vida para lá da vida tal como é.
Kátia Guerreiro
Só quero...

Frases soltas e sem sentido, que fluem como se num rio pardacento nadasse, como se não estivesse presa nos teus sentimentos e pudesse fugir sem demoras. Mando cartas de saudades pelo vento e apago os meus escritos com as ondas do mar. Desencanto o mundo com páginas e páginas debruadas a fio de sal, das minhas lágrimas desafiantes. Debruço-me pela varanda da vida para a ver passar ( lenta e precipitada) de trás para a frente, de frente para trás. Deviamos pensar no passado do amanhã e não no passado do dia de hoje. Quero que saibas que a gargalhada que demos, um dia, em unissono, ficou conservada em alcool, para mais tarde recordar ou quem sabe reutilizar. Quem sabe...
Procuro revitalizar sorrisos e pedaços de dias esquecidos. Perdi o jeito para te sorrir incondicionalmente. Lembro-me dos teus gestos, expressões, sons e aromas logo ao lacrimejar das primeiras chuvas. Saudades desses tempos em que desmaiávamos pelas areias frias e nos esqueciamos que lá na outra margem havia vidas e gente que nos esperava. Falta o conforto das certezas, abraços e risadas. Os dias esmagam-me de saudades. As dunas já não resguardam os nossos segredos e cumplicidades. Lembras-te? Talvez já não.
Espera que a onda venha para nos levar de volta ao nosso lugar.
novembro 14, 2005
Luminosidade acutilante

O sol batia ruidoso na janela dos teus pensamentos. Estávamos tão perdidos que logo nos perdemos nesta luminosidade acutilante. Luminosidade acutilante que nos fere dia-a-dia desde o último dia em que os sonhos se perderam com o encadear de palavras (ocas ou não). E o sol aquecia a tua expressão distante...tão distante e fria que, eu, deste lado da janela, continuava arrepiada como se estivesse à beira da guilhotina, como se mais uma palavra ou um gesto te levasse a quebrar o que restou. O sol continuava a roçar-nos como farpas dolorosas. O sol? Talvez mais o ambiente, as palavras cerzidas em silêncios, os silêncios costurados em olhares vazios e penosos. Fiquemos assim, sem mais passos falsos, palavras tontas, pensamentos descosidos com a realidade. Deixemos o sol gelar as nossas vozes roucas dos berros dados em surdina pelas solitárias madrugadas. Deixemos que a vida se construa e destrua por si só...sem mas nem meio mas.
novembro 13, 2005
Está frio e escuro e frio e escuro e frio e escuro e frio e escuro e frio e escuro e frio e escuro e frio e escuro e frio e escuro e frio e escuro e frio e escuro e frio e escuro e frio e escuro e frio e escuro e frio e escuro e frio e escuro e frio e escuro e frio e escuro e frio e escuro e frio e escuro e frio e escuro e frio e escuro e frio e escuro e frio e escuro e frio e escuro e frio e escuro e frio e escuro e frio e escuro e frio e escuro e frio e escuro e frio e escuro e frio e escuro e frio e escuro e frio e escuro e frio e escuro e frio e escuro e frio e escuro e frio e escuro e frio e escuro e frio e escuro e frio e escuro e frio e escuro e frio e escuro e frio e escuro e frio e escuro e frio e escuro e frio e escuro e frio e escuro e frio e escuro e frio e escuro e frio e escuro e frio e escuro .
Faz-me falta um farol.
Faz-me falta uma lareira.
Faz-me falta um isqueiro,
uma bússola, vela,
uma manta, um abraço,
um sorriso, um cansaço,
um amigo, um regaço.
Tantas coisas que me faltam.
Gosto...
Gosto de ver os vossos sorrisos soltos e despreocupados, alternados com gargalhadas surdas.
Gosto de sentir que faço parte, que me ouvem, que me acolhem.
Gosto de pensar que já passámos por tanto e de sentir que ainda nos falta passar por quase tudo.
Gosto de pensar que não vivo sem vocês.
Gosto de vos ver assim...
Gosto de vocês!!!
Gosto de sentir que faço parte, que me ouvem, que me acolhem.
Gosto de pensar que já passámos por tanto e de sentir que ainda nos falta passar por quase tudo.
Gosto de pensar que não vivo sem vocês.
Gosto de vos ver assim...
Gosto de vocês!!!
novembro 11, 2005
Avisa-me
novembro 10, 2005
Better Together
novembro 09, 2005
Gotas de tudo e de nada
Mais umas gotas de nada,
Gotas de nada para ter tudo.
Nunca ninguém tem tudo
Falta sempre uma gota,
e mais uma gota, e outra.

Nunca tudo nos basta.
Mais uma gota para o tudo
E o tudo logo se afasta,
Como um sorriso cego,
Como um grito mudo.

Cai uma gota salgada,
Gota de insatisfação,
O tudo não chega a nada.
A vida é apenas ciclo,
Um ciclo sem perfeição.

A vida é um ciclo de tudos e nadas que ameaçam mas não chegam nunca.
A vida é um equilíbrio relativo entre os tudos ilusórios e os nadas assustadores.
Não tenho tudo. Estou longe de ter tudo, mas o que tenho não está perto do nada.
E mesmo o que vou perdendo ( e que me remete para o nada) já um dia foi parte do quase tudo e agora não consigo sentir que fazem parte do nada.
Enfim, tudos e nadas que se repetem...
Não sentes isto também?
Gotas de nada para ter tudo.
Nunca ninguém tem tudo
Falta sempre uma gota,
e mais uma gota, e outra.

Nunca tudo nos basta.
Mais uma gota para o tudo
E o tudo logo se afasta,
Como um sorriso cego,
Como um grito mudo.

Cai uma gota salgada,
Gota de insatisfação,
O tudo não chega a nada.
A vida é apenas ciclo,
Um ciclo sem perfeição.

A vida é um ciclo de tudos e nadas que ameaçam mas não chegam nunca.
A vida é um equilíbrio relativo entre os tudos ilusórios e os nadas assustadores.
Não tenho tudo. Estou longe de ter tudo, mas o que tenho não está perto do nada.
E mesmo o que vou perdendo ( e que me remete para o nada) já um dia foi parte do quase tudo e agora não consigo sentir que fazem parte do nada.
Enfim, tudos e nadas que se repetem...
Não sentes isto também?
novembro 08, 2005

Em tempo de calamidade.
Em tempo de estado de sítio.
Em tempo de caos nocturno, diurno, diário.
Em tempos assim, agarro-me ao meu urso de peluche, o Martim, e tento esperar que o sono chegue.
Tenho este urso há, apenas, 11 anos. Foram os meus avós que me deram no Natal, porque eu escolhi no meio de uma loja seria com artigos de decoração.
Gostei dele.
Tinha um ar confiável e pedi à minha mãe. Não suportaria a dor e sentimento de culpa se o tivesse lá deixado, no meio daquela loja cheia de gente feia.
A verdade é que, apesar de já não dormir agarrada ao meu urso Martim, sei que em noites de frio lá fora (e cá dentro), ele vai estar disponível para um abraço.
E hoje apeteceu-me contar a história do meu urso Martim, que pedi num Natal para o salvar .
Hoje apeteceu-me lembrar como o abraço do nosso ursinho preferido, por vezes é bom e completo, mesmo que se passem meses entre abraços, lá está ele, sentado numa cadeirinha azul de madeira, (pintada de propósito por mim, na altura) ao lado da minha cama a velar o meu sono.
novembro 07, 2005
E ela sussurrou "todo os segredos guardados, docemente guardados."
E ela sussurrou "todo os sorrisos trocados, espontaneamente trocados."
E ela sussurrou "todo os olhares perfumados, especialmente perfumados."
E ela sussurrou "todo os abraços apertados, fortemente apertados."
E ela sussurrou "todo os momentos sonhados, brevemente sonhados."
E ela sussurrou "todo os minutos contados, distraidamente contados."
E ela sussurrou "todo os dias passados, agradavelmente passados."
E ela cantou baixinho:
"O nosso amor vai ser assim, eu pra você, você pra mim
O nosso amor vai ser assim, eu pra você, você pra mim
Tristeza, eu não quero nunca mais
Vou fazer você feliz,
Vou querer viver em paz
E o destino é que me diz, ( o nosso amor )"
E ela pensou baixinho:
"Você não sabe quanta coisa eu faria
Além do que já fiz
Você não sabe até onde eu chegaria
Pra te fazer feliz"
E ela pecou em silêncio:
"Quem me dera no tempo voltar
E outra noite de sono perder
Pra acordado te ver acordar
E de novo dormir com você"
E ela pediu para ele lhe dar mão, para lhe pegar ao colo.
Contos de Segunda-feira.
Contos de uma Segunda-feira qualquer.
Contos de uma Segunda-feira que se quer igual às outras.
Contos de um Segunda-feira não tão qualquer como seria de desejar.
E ela sussurrou "todo os sorrisos trocados, espontaneamente trocados."
E ela sussurrou "todo os olhares perfumados, especialmente perfumados."
E ela sussurrou "todo os abraços apertados, fortemente apertados."
E ela sussurrou "todo os momentos sonhados, brevemente sonhados."
E ela sussurrou "todo os minutos contados, distraidamente contados."
E ela sussurrou "todo os dias passados, agradavelmente passados."
E ela cantou baixinho:
"O nosso amor vai ser assim, eu pra você, você pra mim
O nosso amor vai ser assim, eu pra você, você pra mim
Tristeza, eu não quero nunca mais
Vou fazer você feliz,
Vou querer viver em paz
E o destino é que me diz, ( o nosso amor )"
E ela pensou baixinho:
"Você não sabe quanta coisa eu faria
Além do que já fiz
Você não sabe até onde eu chegaria
Pra te fazer feliz"
E ela pecou em silêncio:
"Quem me dera no tempo voltar
E outra noite de sono perder
Pra acordado te ver acordar
E de novo dormir com você"
E ela pediu para ele lhe dar mão, para lhe pegar ao colo.
Contos de Segunda-feira.
Contos de uma Segunda-feira qualquer.
Contos de uma Segunda-feira que se quer igual às outras.
Contos de um Segunda-feira não tão qualquer como seria de desejar.
quietinhos

Esperamos sentados naquele banco de jardim onde me esperavas todos os fins de tarde.
Esperamos quietinhos. Esperamos que a escura noite passe.
Espera. Senta-te aqui. Não vês? Está escuro e cheira a alfazema.
Tenho medo.
Esperamos aqui quietinhos neste pedaço de sossego. Não fales. Não te mexas. Não oiças sequer.
Esperamos aqui imóveis, surdos e mudos, para que a madrugada não dê por nos, não vá o tempo voltar atrás.
Espera. Senta-te aqui comigo.
Tenho medo.
Cheira a alfazema.
Esperamos os dois aqui.
E amanhã, amanhã, já não vou ter nem medo, nem frio.
Amanha, eu sei que vai cheirar a alfazema mas tu vais amanhecer do meu lado.
Mas por enquanto, fica por aqui...quietinho.
novembro 06, 2005
Liberdade

Vento na cara. Cabelos soltos. Sem rota marcada. Sem hora para parar. Apetece-me correr sozinha. Liberdade. Não liberdade de ser livre, pois ninguém é. Mas liberdade de movimentos. Mover-me sem cutucar a liberdade de ninguém. Apetece-me. Cabelos ao vento. Cara lavada. Sem hora marcada. Sem rota traçada. Liberdade de quem foge por um segundo. Atravessar Lisboa de um ponto a outro, sem parar em montras, nem decorar caras impacientes e domingueiras. Deixar o dia passar. O tempo passar. Ninguém deseja que o tempo passe rápido, mas dia sim-dia sim, dizemos que queremos que o "Tempo que tudo cura" passe depressa. Liberdade de quem anda a cavalo em liberdade. Liberdade de quem não vê vivalma. Liberdade de quem só está em viagem de pensamento e que vai adorar voltar ao conforto do que tem. Liberdade de quem pode sentir o que quer, dizer o que quer, fugir quando quer. Liberdade de quem não conhece limites aos sonhos. Liberdade que todos querem e poucos têm. Vivemos agrilhoados a correntes de ar que nos mantêm educadamente revoltados no nosso vaivém daqui para ali, da ali para aqui.
No More...

Do be do be do do do oh
Do be do be do do do oh
I used to be a lunatic from the gracious days
I used to feel woebegone and so restless nights
My aching heart would bleed for you to see
Oh, but now
I don't find myself bouncing home
Whistling buttonhole tunes to make me cry
No more I love you's
The language is leaving me
No more I love you's
Changes are shifting
Outside the words
The lover speaks about the monsters
I used to have demons in my room at night
Desire, despair, desire
So many monsters
Oh, but now
I don't find myself bouncing around
Whistling my consence to make me cry
No more I love you's
The language is leaving me
No more I love you's
The language is leaving me in silence
No more I love you's
Changes are shifting
Outside the words
And people are being real crazy
But we will only come
And you know what mommy?
Everybody was being real crazy
The monsters are crazy.
There are monsters outside
No more I love you's
The language is leaving me
No more I love you's
The language is leaving me in silence
No more I love you's
Changes are shifting outside the words
Outside the words
No more I love you's
The language is leaving me
No more I love you's
The language is leaving me
No more I love you's
Changes are shifting outside the words
Do be do be do do do oh
Do be do be do do do oh
Outside the words
Annie Lennox
Ultima musica antes de adormecer.
Quebram-se

Quebram-se os silêncios sem palavras.
Quebram-se os silêncios com silêncios cada menos distantes.
Quebram-se as distâncias.
Quebram-se as sessões contínuas de distancias.
Quebram-se os sonhos e realidades.
Quebram-se as memórias.
Quebram-se as verdades e certezas.
Quebram-se coisas por demais.
Eu própria me estilhaço.
novembro 05, 2005
PeDrA

Pedra que prende segredos para não voarem.
Pedra que esconde defeitos dos meus olhos.
Pedra que me atiras quando não sabes que dizer.
Pedra que pesa nos meus pensamentos.
Pedra que me magoa ao andar para a frente.
Pedra que falta à minha filosofia e poesia.
Pedra que é constante no meu sonho.
Pedra que comanda o meu dia-a-dia.
Pedra que me tira o sol e o sorriso.
Pedra que não queria mas trago comigo.
Pedra que é cinzenta, nauseabunda.
Pedra que me queima os pés.
Pedra que rolo nas mãos suadas e nervosas.
Pedra que dou chutos e pontapés para tirar do meu caminho.
Pedra que é tudo e é nada.
Pedra...pensa, é só uma pedra.
novembro 04, 2005
Porque

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Juro-te que havia

Em tempos só havia frio quando devia.
Em tempos havia quatro estacões.
Juro-te que havia.
Em tempos havia o sol quando devia.
Em tempos de nexo causalidade.
Juro-te que havia.
Em tempos havia chuva quando devia.
Em tempos havia sorrisos.
Juro-te que havia.
Em tempos havia flores quando devia.
Em tempos de cega inocência e alegria.
Em tempos...
Em tempos de quatro estacões.
Em tempos...
Em tempos que já lá vão,
Tempos que já nem voltam.
Tempos incertos estes...
Lágrimas que já não secam ao sol
Sorrisos que se dissipam na chuva.
Flores que já não cheiram a melodia.
Abraços que congelam ao frio.
Tempos sem sentido.
Longes vão os tempos de quatro estacões.
Juro-te que havia.
novembro 03, 2005
ejoh, os ejoh
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