(Chapéus de palha)
Nesta casa cheia de alma, onde corríamos, as coisas vão apodrecendo ao longo do tempo...
As coisas ficam intactas mas envelhecidas, ficam podres e esquecidas...
Mas, aqui, é tudo tão igual como antes...
Naquela casa tudo parou. Aliás, quase tudo parou...
Tudo parou menos nós...
(a janelinha)
Destas janelas eu via os dias de chuva escorrerem lá fora.
Destas janelas as paredes desta casa viram dobrar dias, meses, anos, séculos de solidão.
Por estas janelas o mundo correu, perdeu cor, ganhou verdete...

(velha adega)
Por estas pipas corria o vinho, agora corre a saudade dos tempos antes dos tempos de agora...
Por estes lagares corríamos nós de pés nas uvas e sorriso na cara...
Por estes lugares nem o cheiro da uva pisada jaz no ar , apenas o silêncio...




