Resguardo-me, como só eu sei, em camisas de força. Os meus pensamentos estão presos, controlados, limitados ao pouco espaço que lhes cedo. Não quero extravasar, não quero empolar as barreiras que lhes impus.
São loucos, desvairados, desequilibrados...daí as amarras, daí o cheiro a ferro das correntes.
Não posso deixar que flutuem livremente, não posso...! Não posso, não quero e não permito que desaguem nas mentes alheias.
São loucos, desvairados, desequilibrados...mas são meus.
Pensamentos geram muita coisa. Pensamentos geram conversa, confusão, sentimentos. Quero os meus pensamentos atados, enclausurados, ancorados, fechados a sete chaves, longe do sol e longe de tudo.
São loucos, desvairados e desequilibrados... mas são meus e não os quero partilhar.
Se os soltasse...
Se os soltasse, fariam efervescência em contacto com a liberdade.
Há pensamentos e pensamentos...e os meus são para estar escondidos, cavados na minha mente, cravados no local mais recôndito do meu ser.
Os meus pensamentos são loucos, desvairados e desequilibrados...mas são meus e não os quero partilhar, nem contigo nem com ninguém.
Os meus pensamentos têm poeira, e não tem eira, nem tem beira...! São doentios, miseráveis, submissos e vulneráveis. Os meus pensamentos são fracos, nervosos, empolgantes. São doces e cortantes. São meus...e basta!
Deixa-me com as minhas loucuras, desvarios e desequilíbrios. Deixa-me porque os meus pensamentos são meus e não quero abrir mão deste meu submundo louco, desvairado e desequilibrado...