junho 21, 2005

Faz-me tua Tágide...!

Tejo que me embalas a alma, faz-me tua Tágide...!
Tejo, nos meus olhos se reflectiram os teus reflexos e no teu corpo se reflectiu o meu.
Óh Tejo, por detrás de um jogo de sombras e espelhos, prefiro amar o silêncio da tua superfície a repudiar esse teu rebuliço interno!
Óh Tejo, faz-me tua Tágide...!
Tejo, serena a minha alma ao canto de um dos teus fados e aconchega-me ao teu peito em tempo de desvario e devaneio.
Deriva-me daqui para fora, rapta-me às margens deste mundo.
Óh Tejo, faz-me tua Tágide...!
Tu, que me cercas a cada momento...
Tu que inundas a minha casa ao amanhecer...
Tu que me alimentas o espírito e dás de beber ao meu cansaço.
Óh Tejo, faz-me tua Tágide...!
Tejo, que irradias a cidade e denuncias a sociedade nesse ninho de trevas e ignorância cega, que muitos julgam iludido pela tua face resplandecente, quando o sol se reflecte nas nuvens e as espelha, como se, por debaixo desse belo retracto, não se escondessem mil actos tenebrosos que te assassinam paulatinamente, como se doesse menos...
Faz-me tua Tágide...!
E leva-me para outro recanto que não este...que me sinto triste.

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