fevereiro 07, 2006
Hoje é um dia de escrevinhar sem tema, sem futuro e com a mão solta. Hoje é um dia sem destino. Não me parece que o teu sorriso longínquo me possa afagar a alma. Hoje é um dia sem mimo. Não haverá sorrisos sinceros, nem lágrimas comovidas. Hoje é um dia sem vergonha e também sem carisma. Não haverá marcas no passado. Hoje não vão ficar nem cicatrizes nem pontos de referência. Hoje sou parte esquecida do teu mundo. Não ouvirás os meus segredos, não perdoarás as minhas mágoas. Hoje é dia de ouvir músicas velhas, farrapos musicais que me arranham, noite dentro, a alma. Não te vou dar a mão, não te vou cantar músicas parvas, nem dançar para ti. Hoje é um dia sem sussurros nem berros. Não me ouvirás a dizer o quanto adoro o mar e os teus beijos salgados. Hoje é um dia de pôr-do-sol tardio e amanhecer gelado. Não vou ficar ao teu lado para ver. Hoje não haverá nós, mas eu e tu. Não me procures perdida nos teus pensamentos que hoje não vou andar por ai. Hoje é um dia tonto. Hoje apetece-me escrever e desanimar. Hoje preciso de ti e não te tenho. Hoje preciso de pisar a lua, gritar ao vento, rasgar as folhas dos meus cadernos. Hoje é dia de rever fotografias. Lembrar. Hoje é dia de pensar...
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