...e enquanto tocam os sinos e o vento bate nas portadas, fazendo ripostar um zunzum a Inverno, dou por mim a pensar em como as coisas nunca acontecem nem por acaso, nem sem consequências. Rimos, trocamos olhares ensurdecedores e a verdade é que dias, ágeis e apressados, passam por nós sem deixar recado ou sinal. E nós, entontecidos com a inércia de um próximo cruzar, arrastamo-nos pela vida como se amanhã é que fosse dia, como se hoje não fosse dia bastante para vivermos tudo o que é preciso viver num dia como o de hoje.
...e fico assim, ternurenta, adormecida, vagueando pela memória vadia de outros tempos. E, desleixadamente, deixo a noite morrer sem te procurar, na esperança - na penosa esperança- de te encontrar.
Oiço os sinos tardios e de mau tom, e desgostam-me estes presságios. Não te vejo, oiço pássaros berrantes, sinto o badalar dos carrilhões a ressoarem serodiamente pelas ruas da cidade...que desconforto se atravessa neste pedaço de vida inerte que há em mim.
A trovoada estoira ao longe no mar, da janela do meu quarto, não a vejo, oiço-a a aproximar-se, como se de um momento para o outro, também eu, pudesse ser um claro, intenso e rápido relâmpago, sem mais demoras.
Os pássaros já partiram, os sinos em alerta pararam de descarregar o seu agoiro e eu? Eu continuo aqui, na janela do meu quarto, a ver a trovoada voltar ao mar, enquanto te procuro daqui de cima desta colina, como se pudesse, com os meus expeditos olhos, calcorrear todos os recantos...
Passa a noite, passa a madruga, os ingénuos pardais cantam cantigas invernosas à minha janela. Com este cantar, também o cantar da alvorada se desenrola por detrás dos sinos hesitantes e preguiçosos. "E tu?", pergunta a manhã. "Eu? Eu adormeço só se for de cansaço, que tenho medo que a noite volte quando acordar."
...e eu adormeço...
...e todas as noites oiço aquele sino que me interrompe o silêncio e a paz de espírito, lembrando-me o que não procurei para encontrar...
...e fico assim, ternurenta, adormecida, vagueando pela memória vadia de outros tempos. E, desleixadamente, deixo a noite morrer sem te procurar, na esperança - na penosa esperança- de te encontrar.
Oiço os sinos tardios e de mau tom, e desgostam-me estes presságios. Não te vejo, oiço pássaros berrantes, sinto o badalar dos carrilhões a ressoarem serodiamente pelas ruas da cidade...que desconforto se atravessa neste pedaço de vida inerte que há em mim.
A trovoada estoira ao longe no mar, da janela do meu quarto, não a vejo, oiço-a a aproximar-se, como se de um momento para o outro, também eu, pudesse ser um claro, intenso e rápido relâmpago, sem mais demoras.
Os pássaros já partiram, os sinos em alerta pararam de descarregar o seu agoiro e eu? Eu continuo aqui, na janela do meu quarto, a ver a trovoada voltar ao mar, enquanto te procuro daqui de cima desta colina, como se pudesse, com os meus expeditos olhos, calcorrear todos os recantos...
Passa a noite, passa a madruga, os ingénuos pardais cantam cantigas invernosas à minha janela. Com este cantar, também o cantar da alvorada se desenrola por detrás dos sinos hesitantes e preguiçosos. "E tu?", pergunta a manhã. "Eu? Eu adormeço só se for de cansaço, que tenho medo que a noite volte quando acordar."
...e eu adormeço...
...e todas as noites oiço aquele sino que me interrompe o silêncio e a paz de espírito, lembrando-me o que não procurei para encontrar...


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