março 29, 2006

Conta-me


Conta-me a história que preciso de ouvir e não aquela que sabes. Deixa-me nadar nesta fé ingénua. Deixa-me nadar, não me destruas o sonho.
Hoje apetece-me mergulhar na ilusão. Esquecer-me deste meu lado, injustificadamente, racional. Bem que me dizem que, de tanto reflectir o depois, deixo passar o agora. Pois, agora, o meu depois vem amanhã e o meu agora chega aqui ainda hoje.
Conta-me as tuas histórias de pasmar, conta-me que conto de fadas construíste, que sonhos guardas tu aí dentro.
Posso ouvir-te pela noite fora, chorar com as tuas mágoas, rir das tuas loucuras, mas conta-me a história que tanto quero ouvir.
Estou enroscada nos teus braços, enrolada às tuas palavras e à espera do teu conto que te peço que me contes para que adormeça sossegada.
Apetece-me beber os teus poemas, ler os teus olhares tão distantes e os teus sorrisos distraídos.
Apetece-me viver-te, sentir-me a tua história, ainda que não seja a minha.
Sê a minha fábula por um momento, deixa-me boiar nesta água de ilusões, deixa-me acreditar.
Diz-me que sou eu...
Mente, mas diz-me que sou eu.


fotog.: K A R I N . R O S E N T H A L

Sem comentários: