
Há quem diga que ser nómada é amar raízes. Talvez seja verdade, talvez seja dar espaço à alma, viver. Ser nómada é ser do vento, é pecar deixando, amar partido. Ser nómada é ser do mundo e não ser de ninguém, é fugir da rotina, é deixar o que é costume. Ser nómada é construir sem permanência, é não fixar, não permanecer, não parar no mesmo sítio. Ser nómada também é amar e é procurar em todos o que todos procuram num só. Há quem diga que quem ama dá liberdade e talvez um nómada seja isso mesmo: um criador de sonhos, libertador de destinos. Ser nómada é não ter morada, é não ter rumo, é não estar agrilhoado a uma só paisagem.
...E tu que te mostras sentimentalmente tão nómada, que regressas já de partida, que foges ainda à procura. Tu, ser sem caminho, que vens e vais como as manhãs e em cada volta deixas sinais à tua passagem. Sinais que esqueces para trás quando te libertas e que te prendem aqui.

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