
Os telhados de Lisboa desfazem-se em mitos e lendas, enquanto eu me desfaço em gargalhadas e melancolias! Sinto no ar uma certa dificuldade em fazer a destrinça entre o caminho da intuição e da típica (e tola) ilusão que nos faz ouvir tudo aquilo que mais queremos. "Mal geral!", dizem as más-línguas! Eu cá não me defendo!
O rio derrete-se em lágrimas, os telhados ardem de raiva, as pessoas dissolvem-se em palavras vãs. Seguem-se, encarneiradas, as pequenas nuvens brancas que não incomodam mas fazem sonhar. Construo-te no algodão doce que, de forma saltitante, vagueia no céu. Céu este que não me deixa perder o fim à meada das saudades que deixaram os teus braços! O cheiro a flores invade-me a pele e deixa-me adormecida numa qualquer mesa, de um qualquer café, de um qualquer miradouro, de uma qualquer Lisboa.
Os pássaros já nem desenham formas geométricas. Agora, já só rodopiam ao som dos seu cantares e passeiam-se desnorteados como os meus pensamentos, cuja bússola já só me dá uma direcção!
Leio-te um poema.
Já nem me ouves...mas eu leio-te e tu respondes com um sorriso disperso!

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