Rodopiava
Rodopiava sobre um pé.
Sobre um pé descalço, que as minhas sapatilhas de ballet já não me servem há mais de dez anos.
No lugar de um delicado vestido com uma saia de tule tinha um lençol.
Não era de um bom tecido, nem tão pouco de uma cor garrida.
Era, simplesmente, um lençol branco igual a todos, tal como cada passo desengonçado que dava era igual a todos os outros que dou por todas as ruas e em todos os lugares.
No cabelo não tinha uma rede, nem se quer tinha o cabelo alinhado.
Estava solto e com o seu desalinho natural de todas as manhãs.
Mas eu rodopiava sobre um pé e eras tu, que com uma só mão me fazias dançar, ao som da música.
A música não era clássica e a dança não era perfeita.
Para dizer a verdade não havia música, mas tu trauteavas baixinho para não desafinares.
No fundo eu só rodopiava.
Mas rodopiava e estava feliz.
agosto 30, 2006
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