
Sou composta de sonhos e de desejos de mudança e no entanto sou tão pés na terra que dói.
Ficas ali, ao meu lado, a rir, a falar, a olhar para as minhas mãos trémulas...e eu nem consigo dizer a cor dos teus olhos. Tu respiras e, eu, oiço suspiros de saudades de quando a minha mão te toca sem querer, ou a querer mas sem saber. Ficas, ali, tão sério quando procuro um sorriso teu, mas quando dás gargalhadas tudo em meu redor perde horizontes. És tão distante que me cansa procurar-te, apesar da proximidade tão próxima que me assusta. És tanto, e, no entanto, não quero ser tua. Não quero, se não ver-te de relance, reconhecer o teu passo, lembrar-me do teu cheiro, ouvir a tua risada. Quero-te bem longe para te apreciar à distância de um adeus cordial! É assim que gosto de ti, lá bem longe, do outro lado da estrada, para te poder levar ao largo da realidade...

















